sábado, 17 de janeiro de 2009

UnReachable


Tu és o poema que este poeta nunca escreveu, o quadro que este artista nunca pintou, o livro que este escritor nunca editou, o sonho que este rapaz nunca sonhou. Nem sei se na realidade existes, todas as evidencias me indicam que és pura ilusão, só me mantenho tão crente quanto à tua existência devido a este enorme grito ensurdecedor que ouço a ecoar nas paredes do meu quarto. Pouco posso fazer em relação a tão poderosa presença, a tão inalcançável ser que me cativa, permaneço na insastifação do contentamento de me pertenceres, ainda que somente nos meus mais medonhos sonhos. A tua presença inquieta-me, da forma mais perturbante possivél. Na tua presença sou algo que não tem vida, como uma rocha a rebolar encosta abaixo que se dilata ao longo do percurso que parece não ter fim. Como é possível existir tal ser?
Julguei-me inquebrável, impossível de dominar. Mas heis-me aqui, à tua mercê, como um escravo incapaz de se libertar. Como os sonhadores dizem: enquanto há vida, há esperança. Sempre acreditei nisso. Mas não agora. Há vida, ao contrario de esperança. Como é que um ser reles como eu irá conseguir cativar algo tão esplendoroso como tu? Porque é que o ser tão reles se deixou cativar pelo ser esplendoroso sabendo que só iria sair magoado? Apesar de saber tal facto, gosto da ilusão de depender de alguém tão superior, elevada por mim ao estado de deusa, o que faz de mim um crente, um fiel crente.
Tu és poema que este poeta irá escrever, o quadro que este artista irá pintar, o livro que este escritor irá editar, o sonho que este rapaz está a sonhar.

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