sábado, 31 de janeiro de 2009

Angel


És mais que santa, mais que paciente,
És muito mais que mulher, és algo diferente,
És imortal no meu coração,
Coração independente que superou a mente.

Considero-te, apesar de tudo, presente,
Considero-te, apesar de tudo, ausente,
Dá-me algo, uma espécie de sinal,
Sinal que me dá esperança, dá-mo decetemente.

Partiste e ninguém deu conta,
Rápida como a luz que ninguém vê,
A tua viagem mais veloz e sem regresso,
A viagem onde aposto que tiveste sucesso.

Terás a paz que sempre desejaste,
O sossego que sempre mereceste,
Cá em baixo fica a enorme saudade
Nos corações de todos os que conheceste.

sábado, 17 de janeiro de 2009

UnReachable


Tu és o poema que este poeta nunca escreveu, o quadro que este artista nunca pintou, o livro que este escritor nunca editou, o sonho que este rapaz nunca sonhou. Nem sei se na realidade existes, todas as evidencias me indicam que és pura ilusão, só me mantenho tão crente quanto à tua existência devido a este enorme grito ensurdecedor que ouço a ecoar nas paredes do meu quarto. Pouco posso fazer em relação a tão poderosa presença, a tão inalcançável ser que me cativa, permaneço na insastifação do contentamento de me pertenceres, ainda que somente nos meus mais medonhos sonhos. A tua presença inquieta-me, da forma mais perturbante possivél. Na tua presença sou algo que não tem vida, como uma rocha a rebolar encosta abaixo que se dilata ao longo do percurso que parece não ter fim. Como é possível existir tal ser?
Julguei-me inquebrável, impossível de dominar. Mas heis-me aqui, à tua mercê, como um escravo incapaz de se libertar. Como os sonhadores dizem: enquanto há vida, há esperança. Sempre acreditei nisso. Mas não agora. Há vida, ao contrario de esperança. Como é que um ser reles como eu irá conseguir cativar algo tão esplendoroso como tu? Porque é que o ser tão reles se deixou cativar pelo ser esplendoroso sabendo que só iria sair magoado? Apesar de saber tal facto, gosto da ilusão de depender de alguém tão superior, elevada por mim ao estado de deusa, o que faz de mim um crente, um fiel crente.
Tu és poema que este poeta irá escrever, o quadro que este artista irá pintar, o livro que este escritor irá editar, o sonho que este rapaz está a sonhar.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Empty Words


Tento num verso, numa estrofe, em frases soltas
Descrever tudo o que me abala o coração,
Por mais que pense, diga, ou escreva com palavras
Os sentimentos nunca serão mais que uma emoção...

Busco inspiração no canto mais obscuro
Em torno de algo que me dê emoção
Encontro (nem sempre, mas sempre puro)
No lado mais sombrio do meu coração.

Letra a letra vou escrevendo o que me vem na alma,
Não passam de palavras feitas de grafite e luz,
Quem lê não lhes vê o verdadeiro interior,
Interior esse que só a mim me seduz.

Necessidade constante de agradar a terceiros
Com palavras bonitas, rosas nos canteiros,
Terceiros exigentes que me carregam de pressão,
Pressão gera pressão e consequente falta de inspiração ...